domingo, 17 de abril de 2011

Filogénese e Ontogénese.

“O carácter inacabado do homem não é portanto a sua fragilidade, mas antes a razão da sua força.”[1]


O ser humano é fruto de um património genético, da influência do meio, das experiências que passa ao longo da vida, e tem o poder quase ilimitado de aprender. Mas cada indivíduo evolui de maneira diferente pela forma como percepciona as experiências, e pelas escolhas que faz.  

Para melhor compreendermos o significado de filogénese (no grego: Phylo = raça e genetikos = relativo à génese = origem) e ontogénese (ντος, ontos "ser", genesis "criação") importa referir que, cada uma destas ciências estuda a evolução, mas, enquanto a primeira se dedica ao estudo da evolução da espécie, a segunda ocupa-se do estudo da evolução de cada indivíduo desde o embrião até à velhice.

Numa abordagem biantropológica (filogénese), Darwin, tendo como base da sua teoria a evolução das espécies, professou as diferenças entre os seres humanos apesar de pertencerem à mesma espécie, uma vez que estes apresentam características que os diferenciam uns dos outros, sendo a selecção natural a grande responsável pela evolução. 

No caso de Jean Piaget (pai da abordagem cientifica do conhecimento – Psicologia genética), que defendeu que a capacidade do ser humano raciocinar não está presente aquando do nascimento de uma criança, mas esta resulta de um processo dinâmico adquirido ao longo da vida e fruto das suas experiências, formas de as percepcionar e seu relacionamento com o meio, passando na vida por vários estádios (abordagem psicobiológica – ontogénese).

A par destas duas ciências, Vítor da Fonseca aponta ainda um outro aspecto, o da retrogénese (“…assim como a criança vai, passo a passo, conquistando relações intracorporais e extracorporais, também o idoso o faz, mas no sentido inverso, ou seja, ele passa por um processo de involução, onde a frequente perda de controle perceptivo e corporal marcam este estádio da vida”).

Ao longo da sua vida, o indivíduo encara novas realidades e situações que requerem adaptação. É justamente nesta área que entra a “epigénese – tese segundo a qual o desenvolvimento do indivíduo se processa através da acção recíproca entre a genética e o ambiente”.

Alexandra Caracol e Sílvia Leite


Bibliografia

Fonseca, Vitor (1998, 2ed) Psicomotricidade, filogénese, ontogénese e retrogénese Porto Alegre: Artes Médicas

Tavares et al. (2007). Manual de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Porto: Porto Editora, pp. 34-40

UAB, Texto 2, A Natureza do Desenvolvimento Humano (2011)

UAB, Charles Darwin duzentos anos depois, o que podemos ainda aprender com o autor de A Origem das Espécies? Revista Ler (2009)




http://pt.scribd.com/doc/39463669/PREMATURIDADE-E-NEOTENIA



http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/educacaoespecial/article/viewFile/93/66

http://www.slideshare.net/jbarbo00/filognese-e-ontognese




[1] Prematuridade e Neotenia “http://pt.scribd.com/doc/39463669/PREMATURIDADE-E-NEOTENIA"

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